Depois de um dia de descanso absoluto (o tempo estava chuvoso, pelo que me dediquei á leitura), estou pronto para continuar o "périplo" pelo remanescente da antiga civilizaçao Maya.
Programei a saida de hoje bastante cedo, porque a distancia é de cerca de 360 km, pelo que queria ganhar tempo, mas acabei por decidir passar a noite na pousada de Uxmal, convencido pela beleza do local, e pelos olhos amendoados da angariadora Maya, que me explicou tudo sobre a sua cultura, me facultou mapas da regiao, e ainda teve a pachorra de falar-me acerca das pequenas povoaçoes dos arredores cada uma com as suas particularidades ou especialidades (fabrico de roupa, calçado, etc...).
Decidi experimentar a estrada livre pelo menos ate Valladolid, mas rapidamente perdi a paciencia dado que aqui a maioria das lombas so estao assinaladas no próprio local onde se encontram, o que provoca algumas travagens desagradaveis, alem de que se atravessam muitas povoaçoes, o que faz com que rapidamente se comece a esgotar o tempo, entao quando um cachorro sarnento (so lhe sobrava um tufo de pelo no topo das costas, coitado) atravessou pachorrentamente a estrada a minha frente, olhando-me como que dizendo, "queres passar?, espera que eu estou na minha terra, se tens pressa devias ter escolhido a autoestrada..." aí foi a ultima gota, e decidi que entraria na autoestrada na primeira oportunidade, o que infelizmente ainda demorou um bom bocado...
Chegada a Uxmal, o encontro descrito atras, acabo por almoçar no restaurante da pousada, e ganho coragem para provar os pratos tipicos que me oferece a empregada, vestida á maneira tradicional, com o vestido branco com bordados coloridos (aliás, este tipo de roupa ainda se ve com muita frequencia quando se atravessam as pòvoaçoes), sopa de lima, uma delícia, e lombinhos de porco com "frijoles y guacamole" com um molho interessante.
Desta vez, e porque o movimento estava realmente baixissimo, aceito a oferta de rebaixa do guia da estalagem (tambem Maya) um senhor a rondar os 60 anos que tinha por vezes que pensar para melhor "traduzir" para castelhano os conceitos da cultura Maya que me queria transmitir.
Foi muito interessante e a conversa rapidamente atingiu patamares mais filosoficos que historicos, aliás, confirmei que Chaac era uma das principais Divindades deste povo, a quem recorriam em caso de seca, implorando e sacrificando ate que lhes respondesse, para que "nao tivessem que abandonar estas boas terras por causa da seca e das más colheitas".
Fiquei tambem a saber que a grande piramide, chamada a piramide do adivinho, é a unica no mundo Maya com base em elipse, a emitar as cabanas de palha, alem de aprender a historia de como o anao filho da feiticeira, qual Hércules la do sitio, teve que cumprir uma data de tarefas mais ou menos árduas com a ultima das quais conseguindo derrotar o proprio rei, e reinando em seu lugar.
De notar tambem alguns pormenores da construçao, por exemplo, as falsas abobadas, uma vez que nao conheciam a tecnica de "fechar" o arco, como os Romanos, construiam "abobadas" triangulares, por vezes ate convexas, para conseguir tectos elevados para as recamaras.
Aqui cabe uma lenda ou "Estória" sobre as relaçoes entre Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán, que me abriu o apetite para pernoitar por ali e investigar no dia seguinte Mayapán.
Da historia de Chichén Itzá, que foi narrada no espectáculo nocturno, sabia que algo acontecera que provocara a guerra entre Mayapán e Chichén Itzá, da qual Mayapán saiu vencedora e provocou o primeiro abandono e regresso ás origems dos "Itzás". Ao que parece, as três cidades mantinham relaçoes de amizade e comercio, alem de que as elites desposavam-se entre si, para prepetuar o status.
Numa dada epoca nasceu em Mayapán uma princesa "muito formosa, a quem ate os pássaros vinham cantar á janela do seu quarto", e essa donzela, invariavelmente atingiu a idade "casadoira", e ficou prometida pelos senhores de Mayapán ao principe Uli de Uxmal.
Mas (há sempre um mas...) numa das celebraçoes em Chichén Itzá, em que estava presente a elite das tres cidades o senhor da cidade, ao que parece olhou insistentemente para a donzela, de forma que a pobre perdeu o sono, o apetite, enfim ficou "perturbada" com aquela atençao do senhor de Chichén Itzá.
No dia em que se devia finalmente oficializar o noivado, estava Uxmal em festa, com as delegaçoes das maiores cidades chegando com presentes, (ate de Cobá vinham com muitos presentes entre os quais 7 veados brancos) além de uma multidao de povo dos arredores para testemunhar o acto, mas de Chichén Itzá nao chegavam, e assim esperaram pela delegaçao de Chichén Itzá três dias, eis senao quando, chega o senhor de Chichén Itza, e "sem que ninguem pudesse fazer nada" agarrou na princesa e levou-a para a sua cidade, desposando-a de seguida.
Estava traçada a sorte de Chichén itzá, ali mesmo se forjou a uniao entre Uxmal e Mayapán, que levou a guerra e a derrota a Chichén Itzá, deixando-a vazia e abandonada.
Mas os Deuses nao estavam satisfeitos porque Mayas tinham gerreado Mayas, e uma prolongada seca, da cual nem Chaac os pode livrar, provocou também o abandono destas duas cidades, e foi o início do declínio desta grande e antiga civilizaçao.
Se foi assim, ninguem sabe, mas que é uma "Estória" interessante, la isso é.
Resta apenas dizer que o "espectáculo de luz e som" de Uxmal, tinha acabado de ser renovado, e valeu a pena a espera, além do que as instalaçoes da estalagem, sao muito interessantes e cómodas, passei umas horas agradáveis numa piscina com um pequeno jardim no meio, acompanhado dos omnipresentes cantos dos pássaros, e dos sons de toda a vida que pulula por estes locais, é uma cacofonia de sons mas que resulta muito agradável.
Fotos:




































































































