quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Uxmal




























Depois de um dia de descanso absoluto (o tempo estava chuvoso, pelo que me dediquei á leitura), estou pronto para continuar o "périplo" pelo remanescente da antiga civilizaçao Maya.

Programei a saida de hoje bastante cedo, porque a distancia é de cerca de 360 km, pelo que queria ganhar tempo, mas acabei por decidir passar a noite na pousada de Uxmal, convencido pela beleza do local, e pelos olhos amendoados da angariadora Maya, que me explicou tudo sobre a sua cultura, me facultou mapas da regiao, e ainda teve a pachorra de falar-me acerca das pequenas povoaçoes dos arredores cada uma com as suas particularidades ou especialidades (fabrico de roupa, calçado, etc...).

Decidi experimentar a estrada livre pelo menos ate Valladolid, mas rapidamente perdi a paciencia dado que aqui a maioria das lombas so estao assinaladas no próprio local onde se encontram, o que provoca algumas travagens desagradaveis, alem de que se atravessam muitas povoaçoes, o que faz com que rapidamente se comece a esgotar o tempo, entao quando um cachorro sarnento (so lhe sobrava um tufo de pelo no topo das costas, coitado) atravessou pachorrentamente a estrada a minha frente, olhando-me como que dizendo, "queres passar?, espera que eu estou na minha terra, se tens pressa devias ter escolhido a autoestrada..." aí foi a ultima gota, e decidi que entraria na autoestrada na primeira oportunidade, o que infelizmente ainda demorou um bom bocado...

Chegada a Uxmal, o encontro descrito atras, acabo por almoçar no restaurante da pousada, e ganho coragem para provar os pratos tipicos que me oferece a empregada, vestida á maneira tradicional, com o vestido branco com bordados coloridos (aliás, este tipo de roupa ainda se ve com muita frequencia quando se atravessam as pòvoaçoes), sopa de lima, uma delícia, e lombinhos de porco com "frijoles y guacamole" com um molho interessante.

Desta vez, e porque o movimento estava realmente baixissimo, aceito a oferta de rebaixa do guia da estalagem (tambem Maya) um senhor a rondar os 60 anos que tinha por vezes que pensar para melhor "traduzir" para castelhano os conceitos da cultura Maya que me queria transmitir.

Foi muito interessante e a conversa rapidamente atingiu patamares mais filosoficos que historicos, aliás, confirmei que Chaac era uma das principais Divindades deste povo, a quem recorriam em caso de seca, implorando e sacrificando ate que lhes respondesse, para que "nao tivessem que abandonar estas boas terras por causa da seca e das más colheitas".

Fiquei tambem a saber que a grande piramide, chamada a piramide do adivinho, é a unica no mundo Maya com base em elipse, a emitar as cabanas de palha, alem de aprender a historia de como o anao filho da feiticeira, qual Hércules la do sitio, teve que cumprir uma data de tarefas mais ou menos árduas com a ultima das quais conseguindo derrotar o proprio rei, e reinando em seu lugar.

De notar tambem alguns pormenores da construçao, por exemplo, as falsas abobadas, uma vez que nao conheciam a tecnica de "fechar" o arco, como os Romanos, construiam "abobadas" triangulares, por vezes ate convexas, para conseguir tectos elevados para as recamaras.

Aqui cabe uma lenda ou "Estória" sobre as relaçoes entre Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán, que me abriu o apetite para pernoitar por ali e investigar no dia seguinte Mayapán.

Da historia de Chichén Itzá, que foi narrada no espectáculo nocturno, sabia que algo acontecera que provocara a guerra entre Mayapán e Chichén Itzá, da qual Mayapán saiu vencedora e provocou o primeiro abandono e regresso ás origems dos "Itzás". Ao que parece, as três cidades mantinham relaçoes de amizade e comercio, alem de que as elites desposavam-se entre si, para prepetuar o status.

Numa dada epoca nasceu em Mayapán uma princesa "muito formosa, a quem ate os pássaros vinham cantar á janela do seu quarto", e essa donzela, invariavelmente atingiu a idade "casadoira", e ficou prometida pelos senhores de Mayapán ao principe Uli de Uxmal.

Mas (há sempre um mas...) numa das celebraçoes em Chichén Itzá, em que estava presente a elite das tres cidades o senhor da cidade, ao que parece olhou insistentemente para a donzela, de forma que a pobre perdeu o sono, o apetite, enfim ficou "perturbada" com aquela atençao do senhor de Chichén Itzá.

No dia em que se devia finalmente oficializar o noivado, estava Uxmal em festa, com as delegaçoes das maiores cidades chegando com presentes, (ate de Cobá vinham com muitos presentes entre os quais 7 veados brancos) além de uma multidao de povo dos arredores para testemunhar o acto, mas de Chichén Itzá nao chegavam, e assim esperaram pela delegaçao de Chichén Itzá três dias, eis senao quando, chega o senhor de Chichén Itza, e "sem que ninguem pudesse fazer nada" agarrou na princesa e levou-a para a sua cidade, desposando-a de seguida.

Estava traçada a sorte de Chichén itzá, ali mesmo se forjou a uniao entre Uxmal e Mayapán, que levou a guerra e a derrota a Chichén Itzá, deixando-a vazia e abandonada.

Mas os Deuses nao estavam satisfeitos porque Mayas tinham gerreado Mayas, e uma prolongada seca, da cual nem Chaac os pode livrar, provocou também o abandono destas duas cidades, e foi o início do declínio desta grande e antiga civilizaçao.

Se foi assim, ninguem sabe, mas que é uma "Estória" interessante, la isso é.

Resta apenas dizer que o "espectáculo de luz e som" de Uxmal, tinha acabado de ser renovado, e valeu a pena a espera, além do que as instalaçoes da estalagem, sao muito interessantes e cómodas, passei umas horas agradáveis numa piscina com um pequeno jardim no meio, acompanhado dos omnipresentes cantos dos pássaros, e dos sons de toda a vida que pulula por estes locais, é uma cacofonia de sons mas que resulta muito agradável.

Fotos:

















sábado, 20 de junho de 2009

Reserva natural de Sian Ka'an

A reserva natural de Sian Ka'an (onde nasce o céu), declarada patrimonio da humanidade, fica situada a sul de Tulum, e tem como atractivos principais:


A lagoa verde que muda de cor ao longo do dia, e tem no centro um cenote de água doce que a alimenta, e a extençao de 47 Km de costa em grande parte virgem, onde se pode usufruir de praias desertas de areia fina e branca.


Chegando a Tulum, e uma vez que a sinalizaçao como sempre é pouca ou nenhuma, tive que estar a perguntar por onde se acedia ao local... quando finalmente acertei com o cruzamento certo, passados 200 mts lá estava a invariável placa indicadora (devem pensar que os turistas tem dotes divinatorios).


Depois da estrada de acesso, muito bem enquadrada e com ciclovia (podem alugar-se bicicletas no povoado e é possivel entrar no parque, e acampar durante o tempo que se quizer, devolvendo depois a bicicleta na volta) começa-se por atravessar uma zona super povoada de estalagens, restaurantes e afins, muito pitoresca mas que nao permite nem que se veja a praia... infelizmente existem grandes exstensoes de terreno e praia vedados com sinais de "propriedade particular, os quais se podem encontrar mesmo dentro da propria reserva aliás, se alguem esta a pensar em investir, existem tambem dentro da reserva varios terrenos á venda...


Pouco a pouco a vegetaçao toma conta das laterais da estrada e o passeio começa finalmente a valer a pena.


A entrada para a reserva propriamente dita está assinalada por um arco ao qual chamam Maya, mas que de Maya nao tem nada, visto que os Mayas nao conheciam a tecnica de construçao de arcos redondos...


Logo á entrada, do lado direito, parte um pequeno trilho muito interessante que termina num cenote limpissimo, no qual se pode nadar, e no caso, estava uma sereia perdida no pontao de madeira quando la cheguei :), no chao, uma profusao de buracos, que como vim a saber sao acupados por uma das especies mais abundantes na zona, uma especie de caranguejo azul.


Assinado o livro de registos, para que se saiba que por ali passou um Português :) parte-se para uma viagem de aproximadamente 1:30h ate "Punta Alen" sempre em estrada de terra batida, que a espaços esta muito mal tratada, mas valem bem a pena as sacudidelas porque é paradisiaca, o unico problema é que as iguanas por vezes fogem a maior velocidade do que se pode imprimir ao carro, que frustraçao...


A dado passo aparece no lado direito (é preciso ir com atençao) o centro de estudo da area, onde se pode subir a uma "torre" que ameaça cair a qualquer momento, e de onde partem umas lanchas para percorrer o sistema lagunar e ver as estrelas da companhia, os Manatins.


Á frente uns Kms, (ou seriam metros?) atravessa-se uma ponte sobre um braço da lagoa, esta ao lado de uma ponte mais antiga em madeira, aqui pode-se estacionar, e existe um acesso á praia pelo meio da vegetaçao, que vai sair numa zona de nidificaçao de aves, por aqui pode-se aceder a uma extençao de praias selvagens, onde aproveitei para tomar um banho de mar, que mais parecia sopa dada a temperatura da água, e que durou ate dois grandes peixes passarem demasiado perto das minhas pobres pernas, pelo que decidi que já era hora de voltar ao meu périplo.


Punta Alen é um aglomerado de casas minusculo, com um ancoradouro com barcos de recreio, e alguns barcos de pesca, tem no entanto a sua esquadra de polícia, com os tres policias sentados á porta a curtir o calor da tarde. aproveitei, dado o calor do clima para beber uma cervejinha gelada num dos botecos da praia, e qual o meu espanto, quando estava tranquilamente a beber e a olhar para o mar, um som distraiu-me do momento edílico, um papagaio bastante velho (tinha ja algumas areas sem penas) vinha aproximando-se pouco a pouco, movido pela curiosidade de um novo ser desconhecido nas redondezas :) escondia-se atras dos obstáculos mas aproximando-se sempre até onde julgou ser seguro, la lhe expliquei que a curiosidade matou o gato, e acabou por ficar ali ate que me fui embora, curioso :)


Perguntei se ali era o fim do caminho ou se ainda se podia seguir, responderam-me que ainda existia um caminho até á ponta da lingua de areia onde construiram um pequeno farol, ora chegando ali, nao podia voltar sem tentar lá chegar... má ideia, o "caminho" é isso mesmo, um caminho pela duna, que esta quase fechado de vegetaçao em alguns pontos, e realmente o farol (poco mais que uma coluna com uma fonte de luz no topo) nao merece tanto trabalho e o risco de se ficar atolado...


Atigido o objectivo, restava-me retroceder, sabendo que me esperava mais 1:30h de regresso ate a estrada, com uma paragem noutra praia, esta mais concorrida, para acabar com o cartao (fotos) e encerrar o dia e as miniférias.


Fotos:


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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Kabah-Mayapán

Digo adeus á estalagem com alguma tristeza, é um lugar fenomenal, fora do tempo presente.


O plano é visitar Kabah, e seguir para Mayapán, sempre pelas estradas interiores para passar por algumas povoaçoes tipicamente mayas, ainda que modernas, para ver como vivem.


Saindo de Uxmal, passa-se por Sª Elena, onde supostamente existe um pequeno museu que, dadas as minhas limitaçoes de tempo, ignorei, para chegar a Kabah.


Este assentamento parece ter importancia semelhante a Uxmal, ainda que esteja bastante menos explorado, e se note que nao existe muita vontade de reconstruir. Quando cheguei, tive que esperar que a unica pessoa presente na "bilheteira" vestisse a tshirt, porque nao esperava visitantes... a verdade é que enquanto estive ali, chegou apenas mais um casal alemao...


Esta cidade tem varias particularidades, mas o que me chamou mais a atençao, foi o tamanho do complexo da grande piramide, que embora em muito mau estado ainda consegue impressionar, e o arco de entrada na cidade, de onde partia um "sacbe" (estrada Maya) de 20 Km ate Uxmal, o que imediatamente nos revela que ambas mantinham relaçoes cordiais...


Os "sacbe" eram os correspondentes Mayas das estradas Romanas, mas a tecnica para a sua construçao era um poquinho diferente, construiam dois pequenos muros ou "lancis" de ambos os lados e enchiam o interior de terra e pedras tipo brita, mistura que compactavam ate se tornar num caminho facilmente transitável e resistente. em minha opiniao eram mais elaboradas e eficientes que as Romanas.


É realmente pena que este assentamento esteja tao pouco explorado e reconstruido...


Saída para Mayapan, mapa na mao, a ver se nao me perco pelos caminhos menores no meio da selva, isto porque todos parecem iguais e, como em todo o México, a sinalizaçao nao abunda... quando se sai das estradas principais, começam a aparecer os caminhos mais esburacados, (como em todo o mundo) e as pessoas começam a olharnos com admiraçao, como se tivessem a certeza de que a unica razao de passarmos por ali, é estarmos perdidos. Mas quando se pede indicaçoes, para confirmar que estamos na rota, sao muito prestaveis, e mesmo condescendentes com as asneiras que os turistas fazem sem querer, como entrar em sentido proibido, mesmo que nao haja sinalizaçao, toda a gente sabe que nao se pode circular nesse sentido :)


Depois de mais umas voltas, lá consegui dar com o caminho e chegar a Mayapán, mesmo cenário, apenas melhor recuperada, mas tambem práticamente vazia. Duas piramides (Kukulcan e Chaac), e uma vez mais a sensaçao de admiraçao pela capacidade e complexidade desta civilizaçao perdida, colocar a mao onde alguem colocaou a sua há 15 séculos... Nota-se o poder desta cidade e dos seus governantes, alias de todos estes locais, que nos fazem pensar na proeza que constitui construir estas "montanhas" de pedra, e elevar algumas com várias toneladas até ao cimo das construçoes, nao deve ter sido tarefa fácil.


Enquanto visitava o local, chegou um casal de idade proveniente da cidade do México D.F. que me contou que vinha visitar a filha que se havia establecido em Mérida, os quais, depois de uma agradável pausa para conversar, me indicaram uma rota de tres Cenotes com um percurso em pequenos trens puchados a cavalo, perto dali. Com as indicaçoes, e porque ainda me sobrava algum tempo, tentei chegar lá. Para chegar ao local, tinha que passar por um povoado com uma piramide a ser restaurada mesmo no meio da praça da cidade, ao lado da igreja...


A verdade é que quando finalmente encontrei o sitio, os trens estavam desactivados, e os trilhos em bastante mau estado, que pena que se deixem degradar a este ponto os motivos de interesse que inclusive podem ajudar uma populaçao que nao tem tantos recursos ao ponto de os poder desperdiçar...


Daí só me restou o regresso (onde mais uma vez pude testemunhar que aqui quando chove, cai o céu), planeando para o último dia uma visita á zona de reserva natural de Sian Ka'an.


Fotos:


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