terça-feira, 16 de junho de 2009

Chichén Itzá

Hoje e o dia em que se cumpre o sonho acalentado por muitos anos... a visita á zona arqueologica patrimono da humanidade e votada uma das novas 7 maravilhas do mundo: Chichén Itzá.


Começo o dia um pouco cansado da corrida de ontem, e como cheguei tarde so pude carregar uma bateria para a camara... lá vou eu ter que poupar.


O caminho para Chichén Itzá pode fazer-se por autoestrada (267 pesos em total, a pagar 214 primeiro e o resto no final) ou por estrada livre de portagem, mas qualquer que seja a escolha tem que se tomar a direcçao de uma cidade desconhecida (Mérida) passando por outra tao desconhecida como a primeira (Valladolid), quem nao souber vai pensar que está em Espanha :), eu escolhi a autoestrada para nao complicar, e nao me arrependi, pessoas a pé, de "ciclotaxi", trabalhadores na estrada de enxada (para impedir que a selva a faça desaparecer), anuncios de "posto de abastecimento a 120 !!! Km" (se estivesse a precisar de combustivel ou de socorro...esquece), nuvens de borboletas, um quase atropelamento de um abutre que pousou a minha frente e levantou voo na direcçao errada quando passei, e me fez desviar ate ao "separador central" (árvores) muito para desagrado do carro que me seguia, um fartote :)


Mas a paisagem é deslumbrante, e sinceramente faltam-me os adjectivos adecuados para descrever o entorno, as cores das árvores, desde varias tonalidades de verde ate "explosoes" de vermelho absolutamente berrante (como sempre as fotos nao se aproximam nem de perto á realidade...).


Como diria uma certa pessoa (e que falta me faz a capacidade que tinha para criar descriçoes das ferias passadas em conjunto, parece que a estou a ver a cada minuto livre, cada paragem microscópica, a escrevinhar as suas notas no papel que estava mais a mao, ate em papel higienico, :) nunca um papel com tao ma fama foi elevado a tamanho patamar de excelencia), é orgásmico! Falo, claro, da minha querida amiga Isabel, que tem o dom de escrever com a mesma facilidade com que fala, é o que dá ser filha de uma Poetiza, um grande abraço para ti e para o resto da malta.


Vinha pelo caminho a pensar se depois de tantas fotos e tanta leitura sobre o tema nao iria ficar decepcionado, como ás vezes acontece quando se fantasia com algo mas, na verdade, a visita superou as espectativas. Logo á entrada, impoe-se a presença do castelo na sua posiçao central, alto, dominador, altar central onde desce no equinocio da primavera a serpente emplumada Kukulkan.


Á direita, um "estadio" de jogo da pelota absolutamente magistral (o maior jamais encontrado), aliás, torna-se dificil acreditar que alguem fosse capaz de introduzir a "bola" no aro, dadas as dimensoes do espaço e a altura a que se encontram os aros...


Uma coisa absolutamente fascinante é a quantidade de bancas de venda ambulante no recinto, estao por toda a parte num número absolutamente estarrecedor, vendendo (salvo raras e honrosas excepçoes) o mesmo material, e é ve-los a chamar e a publicitar os seus artigos "genuinos, feitos á mao", "one dála, one dála", mas nao incomodam, pelo contrario, quando se apercebem que nao sou "gringo" e falo castelhano, querem logo saber de onde venho, que faço, e so no fim e que vem o preço ja desinflacionado e em pesos, (nunca aceitem nada por mais do que a metade do preço pedido originalmente, a melhor estrategia é nao mostrar mais do que um interesse superficial, e seguir caminho lentamente deixando que o proprio vendedor comece a anunciar os "descontos", ate perguntar que preço lhes pareceria correcto, entao pode fazer-se um negocio aceitável para ambas as partes).


Frente ao "estadio" podem ver-se os palanques dos guerreiros, decorados com cabeças de aguias e jaguares, e uma estrutura alongada cuberta com altos relevos de caveiras, onde se expunham os crâneos empalados dos sacrificados.


Frente á escadaria principal da piramide de Kukulcan, parte o caminho para o cenote sagrado, um poço com forma arredondada, com 22m de altura ate á superficie da água e 6 a 12 m de profundidade. Aqui se ofereciam sacrificios ao Deus das chuvas Chaac, normalmente crianças pintadas de azul, ou guerreiros jovens, sempre acompanhados de ornamentos de ouro e pedras preciosas, mascaras de jade etc. Ainda nao foi totalmente explorado, mas ja foram retirados muitos dos artefactos que ao longo do periodo da sua utilizaçao se foram acumulando.


Daqui parte o nome da cidade, "boca do poço dos itzás" (bruxos de água) e toda a actividade religiosa se repartia nesta ligaçao entre Kukulcan (Quetzalcoatl reencarnado) divindade principal, e Chaac reverenciado como o patrono das colheitas (o que deixa cair o orvalho sobre as espigas de milho), trazendo a prosperidade material ao povo.


Ainda na praça principal, encontra-se o palacio das 1000 colunas, onde dizem que eram feitas representaçoes para a elite da epoca. Continuam os trabalhos de reconstruçao, e um poco por toda a parte continua o trabalho de excavaçoes com arqueologos e voluntários de varias nacionalidades trabalhando em conjunto.


Alem destes dois grupos de edificios, e de uma profusao de edificaçoes mais ou menos destruidas e espalhadas pelo recinto, existe um terceiro grupo com muita relevancia, do qual fazem parte as "monjas", (gramde piramide com estruturas exquisitas, o seo proprio jogo de pelota e uma "igreja") e o "Caracol", observatorio astronomico expectacular, com arrepiante parecença com os observatorios astronomicos de actualidade.


A partir do meio da tarde estalou uma borrasca (aqui quando chove, chove mesmo), felizmente ja estava no carro estacionado num pequeno caminho de terra no meio da vegetaçao, lendo um pouco enquanto esperava pela hora do "espectáculo de som e luz".


Quando terminou a chuva, sai um pouco e o que experimentei é dificil de descrever, o ar estava denso, morno, cheirava a terra e a plantas de uma maneira tao intensa como nunca tinha presenciado na minha vida, fantastico.


O "espectaculo de som e luz" que se oferece ao publico a partir da 20:00, é interessante, mas nao tanto que valha a pena esperar varias horas, consta de uma projecçao de iluminaçoes coloridas nos edificios de modo a realçar as suas características prinçipais, e narraçao da historia do que se pensa ser o povo fundador de Chichén Itzá, desde a sua peimeira peregrinaçao, chegada ao local, descoberta do cenote sagrado, auge da sua cultura, derrota as maos de Halach Uinic de Maiapán, que os obrigou a retornar para as suas origens. Mais tarde acabaram por voltar mas ja nao era o mesmo, e por fim com a chegada dos Espanhois, morreu definitivamente esta cultura, ainda que se afirme que "as caracteristicas fisicas e mentais ainda habitam entre o que resta do povo maia".


Estou absolutamente espalmado, pelo que amanha e um dia de descanso, deixo Uxmal para quarta-feira e pelos vistos confirma-se que palenque esta demasiado longe pelo que nao penso la ir. Aqui cabe um outro parentesis, há duas coisas que nao devem faltar, água, muita água, eu levei dois litros na mochila e nao chegou!!! e protector solar... estou com os braços todos queimados, porque "um Homem nao usa dessas mariquices"... até me custa a conduzir...


Fotos:




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1 comentário:

  1. Muy bonito y echate crema que si no te vas a quemar mas , je,je,je (al final voy a aprender un poco de portugues con tus historias tan entretenidas y tus fotos tan estupendas)

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