sexta-feira, 19 de junho de 2009

Kabah-Mayapán

Digo adeus á estalagem com alguma tristeza, é um lugar fenomenal, fora do tempo presente.


O plano é visitar Kabah, e seguir para Mayapán, sempre pelas estradas interiores para passar por algumas povoaçoes tipicamente mayas, ainda que modernas, para ver como vivem.


Saindo de Uxmal, passa-se por Sª Elena, onde supostamente existe um pequeno museu que, dadas as minhas limitaçoes de tempo, ignorei, para chegar a Kabah.


Este assentamento parece ter importancia semelhante a Uxmal, ainda que esteja bastante menos explorado, e se note que nao existe muita vontade de reconstruir. Quando cheguei, tive que esperar que a unica pessoa presente na "bilheteira" vestisse a tshirt, porque nao esperava visitantes... a verdade é que enquanto estive ali, chegou apenas mais um casal alemao...


Esta cidade tem varias particularidades, mas o que me chamou mais a atençao, foi o tamanho do complexo da grande piramide, que embora em muito mau estado ainda consegue impressionar, e o arco de entrada na cidade, de onde partia um "sacbe" (estrada Maya) de 20 Km ate Uxmal, o que imediatamente nos revela que ambas mantinham relaçoes cordiais...


Os "sacbe" eram os correspondentes Mayas das estradas Romanas, mas a tecnica para a sua construçao era um poquinho diferente, construiam dois pequenos muros ou "lancis" de ambos os lados e enchiam o interior de terra e pedras tipo brita, mistura que compactavam ate se tornar num caminho facilmente transitável e resistente. em minha opiniao eram mais elaboradas e eficientes que as Romanas.


É realmente pena que este assentamento esteja tao pouco explorado e reconstruido...


Saída para Mayapan, mapa na mao, a ver se nao me perco pelos caminhos menores no meio da selva, isto porque todos parecem iguais e, como em todo o México, a sinalizaçao nao abunda... quando se sai das estradas principais, começam a aparecer os caminhos mais esburacados, (como em todo o mundo) e as pessoas começam a olharnos com admiraçao, como se tivessem a certeza de que a unica razao de passarmos por ali, é estarmos perdidos. Mas quando se pede indicaçoes, para confirmar que estamos na rota, sao muito prestaveis, e mesmo condescendentes com as asneiras que os turistas fazem sem querer, como entrar em sentido proibido, mesmo que nao haja sinalizaçao, toda a gente sabe que nao se pode circular nesse sentido :)


Depois de mais umas voltas, lá consegui dar com o caminho e chegar a Mayapán, mesmo cenário, apenas melhor recuperada, mas tambem práticamente vazia. Duas piramides (Kukulcan e Chaac), e uma vez mais a sensaçao de admiraçao pela capacidade e complexidade desta civilizaçao perdida, colocar a mao onde alguem colocaou a sua há 15 séculos... Nota-se o poder desta cidade e dos seus governantes, alias de todos estes locais, que nos fazem pensar na proeza que constitui construir estas "montanhas" de pedra, e elevar algumas com várias toneladas até ao cimo das construçoes, nao deve ter sido tarefa fácil.


Enquanto visitava o local, chegou um casal de idade proveniente da cidade do México D.F. que me contou que vinha visitar a filha que se havia establecido em Mérida, os quais, depois de uma agradável pausa para conversar, me indicaram uma rota de tres Cenotes com um percurso em pequenos trens puchados a cavalo, perto dali. Com as indicaçoes, e porque ainda me sobrava algum tempo, tentei chegar lá. Para chegar ao local, tinha que passar por um povoado com uma piramide a ser restaurada mesmo no meio da praça da cidade, ao lado da igreja...


A verdade é que quando finalmente encontrei o sitio, os trens estavam desactivados, e os trilhos em bastante mau estado, que pena que se deixem degradar a este ponto os motivos de interesse que inclusive podem ajudar uma populaçao que nao tem tantos recursos ao ponto de os poder desperdiçar...


Daí só me restou o regresso (onde mais uma vez pude testemunhar que aqui quando chove, cai o céu), planeando para o último dia uma visita á zona de reserva natural de Sian Ka'an.


Fotos:


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